O Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD estabeleceram uma parceria estratégica para a produção de um medicamento avançado contra o câncer, o pembrolizumabe, destinado a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Este acordo é resultado de um edital lançado em 2024 pelo Ministério da Saúde.
O pembrolizumabe é uma terapia inovadora que atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas. Considerado uma alternativa menos tóxica à quimioterapia tradicional, o medicamento tem demonstrado alta eficácia no tratamento oncológico.
Atualmente, o Ministério da Saúde já adquire o pembrolizumabe diretamente da MSD para uso no SUS, beneficiando pacientes com melanoma metastático, um tipo agressivo de câncer de pele que se espalha para outros órgãos. Segundo Fernanda De Negri, Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, cerca de 1,7 mil pessoas são atendidas anualmente, com um custo de R$ 400 milhões.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) está avaliando a inclusão do medicamento para tratar outros tipos de câncer, como os de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. A MSD projeta que essa expansão pode elevar a demanda para aproximadamente 13 mil pacientes por ano.
Fernanda de Negri ressalta que a parceria trará benefícios como a potencial redução de custos, uma vez que o contrato prevê a transferência gradual de tecnologia, permitindo que o Butantan assuma a produção do medicamento em alguns anos. Outras vantagens incluem a prioridade no fornecimento e o aprimoramento tecnológico. Ela afirmou que o Butantan desenvolverá a capacidade de produzir esta e outras moléculas similares no futuro, garantindo maior segurança ao paciente brasileiro contra interrupções na cadeia logística.
Estratégia Nacional e Transferência de Tecnologia
A parceria é fruto de um edital que visa fomentar a cooperação entre entidades privadas, públicas e científicas para desenvolver ou absorver tecnologias em benefício do SUS. Essa iniciativa integra uma estratégia nacional ambiciosa de nacionalizar 70% da produção de insumos de saúde utilizados no SUS em até uma década.
Rodrigo Cruz, diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, explicou que a transferência de tecnologia do pembrolizumabe para o Butantan terá início após a aprovação das novas inclusões do medicamento no SUS. A incorporação das etapas de produção será realizada progressivamente ao longo de dez anos. O processo começará com rotulagem e envase, avançando para a formulação e, finalmente, para a produção do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) nacional, o que levará até oito anos para que o remédio seja 100% nacional.
O anúncio da colaboração ocorreu durante o evento "Diálogo Internacional - Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde", realizado no Rio de Janeiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da abertura remotamente e enfatizou a relevância dessas parcerias para o desenvolvimento do país.
"Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados."
O ministro também destacou a robustez do sistema público de saúde brasileiro, descrevendo o SUS como o maior sistema público universal do mundo e um dos maiores mercados estruturados do planeta em termos de escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica.