O segundo dia da IV Mostra Estudantil de Arte e Cultura Indígena (Maloca), promovido pelo Governo de Rondônia através da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), reuniu 240 professores e estudantes indígenas nesta quarta-feira (15) em Porto Velho. Realizado no auditório da Escola Estadual de Ensino Médio Major Guapindaia, o evento contou com uma programação intensa até as 18h, com o objetivo de fortalecer e valorizar as manifestações culturais dos povos originários no ambiente educacional.
A programação do dia incluiu exposição de trabalhos dos estudantes e apresentações artísticas no período da manhã, além de uma performance interativa com o artista Bira Lourenço. À tarde, foram realizadas atividades de socialização pedagógica, uma oficina com a multiartista Mara Pacheco e uma exibição audiovisual. Todas as atividades visaram contemplar as expressões tradicionais dos povos indígenas presentes.
A iniciativa reforça o compromisso governamental com a educação inclusiva e o respeito à diversidade cultural, criando um ambiente onde estudantes indígenas podem expressar suas tradições e fortalecer sua identidade.
O secretário da Seduc, Massud Badra, ressaltou a importância do evento como ferramenta de aprendizagem e integração. Ele afirmou que "a participação dos estudantes e professores indígenas demonstra a força da educação como instrumento de preservação cultural, promovendo o intercâmbio de saberes e incentivando o protagonismo dos povos originários dentro do ambiente escolar".
Entre as apresentações, o professor Heliton Tinhawamba, da Escola Zavidjaj Xi Ko Pi Poh, da Aldeia Ikolen, na Terra Indígena Igarapé Lourdes, conduziu seus alunos em danças tradicionais do povo Gavião. Ele explicou: "Apresentamos uma dança com o instrumento Espírito da Água e, depois, o canto e dança que retrata a vitória da luta do povo Gavião. Esta é minha primeira vez na Maloca, mas os alunos já participam desde as primeiras edições. Acredito que a presença das escolas indígenas, especialmente dos estudantes, é crucial, pois demonstra que, por meio da educação, a cultura é fortalecida e transmitida às novas gerações. É também uma forma de dar visibilidade à nossa cultura, religião e rituais, mostrando que ela permanece viva e ajuda a quebrar barreiras como o preconceito."
A professora Keiliany Ulrich, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Inácio de Castro, de Pimenteiras do Oeste, também estreou na Maloca com seus alunos. Ela detalhou a apresentação: "Trouxemos a música na nossa língua, o Tupi Warazu, que pertence ao tronco linguístico Tupi. Apresentamos a música Uka Uka, que narra a história de uma mãe feliz que passeia, observa a natureza, como garças e peixes, e vai até a casa do filho. Lá, eles colaboram na produção da linha de algodão, desde a retirada da semente até a confecção do fio para suas roupas."
Helen Cristina, estudante que participou com a professora Keiliany Ulrich, expressou que era sua primeira vez na Maloca e que a experiência foi muito enriquecedora. Ela destacou ter conhecido culturas e tradições diversas, demonstrando grande interesse em futuras edições do evento.