Política

Senado aprova relatório de Marcos Rogério para evitar apagão na fiscalização de serviços essenciais

Medida impede bloqueio de recursos das agências reguladoras que fiscalizam energia, internet, aviação, transporte, saneamento, planos de saúde e outros setores que afetam diretamente a população

Assessoria de imprensa

O Senado Federal aprovou, na última terça-feira, 16, o relatório do senador Marcos Rogério (PL-RO) referente ao Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 73/2025. A medida visa impedir o bloqueio de verbas destinadas às agências reguladoras federais, que supervisionam serviços cruciais para a população, como energia elétrica, telefonia, internet, aviação civil, transporte, rodovias concedidas, saneamento básico, petróleo, mineração, vigilância sanitária, planos de saúde, cinema e proteção de dados.

A iniciativa busca, na prática, prevenir uma paralisação na fiscalização de serviços essenciais. Sem recursos orçamentários adequados, as agências perdem a capacidade de realizar inspeções, monitorar contratos, verificar a qualidade dos serviços, investigar falhas, aplicar sanções e exigir providências de empresas que atuam em setores estratégicos. Essa deficiência impacta diretamente o cidadão, resultando em serviços de baixa qualidade, insegurança, lentidão na resposta do poder público e menor controle sobre atividades que afetam diretamente a vida cotidiana.

Marcos Rogério, relator da proposta e presidente da Comissão de Infraestrutura, argumentou que a autonomia das agências não deve ser meramente formal. Para o parlamentar, o contingenciamento de recursos destinados à fiscalização enfraquece a capacidade do próprio Estado de proteger o consumidor, garantir a segurança jurídica e defender o interesse público.

Em declaração durante a reunião da comissão, Marcos Rogério enfatizou: “Uma agência cujas despesas podem ser contingenciadas a qualquer momento não é verdadeiramente autônoma. A lei garante a autonomia, mas o orçamento pode negá-la.”

O tema ganhou relevância após a publicação do Decreto nº 12.990, de 29 de maio de 2026, que expandiu o bloqueio de despesas do Poder Executivo, afetando também os órgãos reguladores federais. Durante uma audiência pública no Senado, diretores de agências e representantes de órgãos de controle alertaram sobre os perigos da redução de verbas em áreas sensíveis, incluindo aeroportos, rodovias, energia elétrica, saúde suplementar, saneamento, transportes e outros serviços concedidos ou regulados pelo governo.

O relatório de Marcos Rogério também abordou uma questão delicada do projeto original, referente à disparidade financeira entre as agências.

Enquanto algumas agências possuem maior arrecadação devido à atuação em setores com grandes concessões, leilões e outorgas, outras, igualmente cruciais para o país, dispõem de menor receita própria. O substitutivo aprovado visa assegurar que a proteção orçamentária beneficie a totalidade do sistema regulatório, e não apenas uma parte.

O senador Marcos Rogério esclareceu que a proposta não implica na criação de novas despesas para a União. O objetivo é garantir que os recursos arrecadados pelas próprias agências, por meio de taxas, outorgas e atividades relacionadas à regulação, sejam aplicados em sua finalidade primordial: aprimorar a fiscalização dos serviços prestados à sociedade.

Após aprovação na Comissão de Infraestrutura e no plenário do Senado, o PLP 73/2025 seguirá para análise da Câmara dos Deputados. Para Marcos Rogério, a iniciativa representa uma resposta institucional ao risco de um “apagão regulatório” no Brasil e reforça o compromisso do Estado em assegurar a fiscalização contínua de setores estratégicos que impactam milhões de brasileiros.

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