O agronegócio brasileiro consolidou-se como um sucesso agroambiental tropical nos últimos 40 anos, superando expectativas e expandindo-se por diversos biomas para produzir alimentos, fibras, energia e tecnologias. Empreendedores criaram empresas de tecnologia, e as academias brasileiras, como a Esalq, celebrando 125 anos e reconhecida mundialmente como a 4ª melhor do mundo, transformaram-se em centros de excelência. A diretora da Esalq, Drª. Thaís Vieira, receberá a comenda do mérito agrícola da França em 7 de julho, em Piracicaba.
As cooperativas brasileiras assumiram protagonismo, produzindo cerca de 55% de tudo o que o país gera, enquanto a indústria de alimentos e bebidas consome 65% dessa produção. O Brasil alcançou competitividade global em diversas culturas, rivalizando com grandes potências agrícolas como Estados Unidos e União Europeia. Esse avanço é fruto do trabalho de pioneiros e produtores rurais que desbravaram solos sem fertilidade natural e estruturas inexistentes.
Contudo, o setor enfrenta um novo e urgente desafio: nos próximos quatro anos, é imperativo implementar mudanças estruturais que não foram realizadas nas últimas quatro décadas, visando dobrar o tamanho do agronegócio. É fundamental concretizar o Plano Nacional de Fertilizantes para reduzir a dependência externa de 80% desse insumo vital, que está sujeito a fluxos logísticos e geopolíticos incontroláveis. A logística atual, cara e baseada em combustíveis fósseis, precisa ser repensada para incluir o impacto ambiental de toda a cadeia produtiva, antes e depois das porteiras das fazendas.
Outras questões urgentes incluem a baixa taxa de irrigação, a ausência de seguro rural abrangente, a insegurança jurídica de diversas ordens e as indecisões em aspectos ambientais, que muitas vezes são polarizadas ideologicamente em vez de abordadas cientificamente. Juros elevados para agricultores e a falta de uma estratégia global de promoção do Brasil também são pontos críticos a serem superados.
Recentemente, o autor participou de dois eventos que reforçaram a percepção de uma transição e mudança estrutural global: um encontro da Sociedade Rural Brasileira (SRB) com a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), em São Paulo, focado em “Agro legal, da genética ao consumidor final”; e uma reunião da Fundação Instituto de Administração Agro da USP (FIA), com a palestra do Prof. Dr. Décio Zylberstayn, criador do Programa de Estudos do Setor Agroindustrial (Pensa) nos anos 1990, que abordou a transição do complexo do agronegócio.
Esses encontros evidenciaram que o mundo está em transformação, e o futuro não replicará o passado. É crucial que todos os agentes dos elos das cadeias produtivas do agronegócio se unam em planejamentos estratégicos que integrem as etapas pré, intra e pós-porteira. A harmonia é vista como essencial para essa orquestração sistêmica, sem a qual “ordem e progresso” não se concretizarão. A meta de “40 anos em 4” deve ser uma prioridade para qualquer governante.
José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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