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RURALCAST | Assistência técnica transforma a produção de cacau nas aldeias Paiter Suruí

No Dia de Campo Paiter Suruí, o engenheiro florestal Dhyego Barbosa mostrou como o acompanhamento técnico contínuo vem aumentando a produtividade, fortalecendo a confiança dos produtores indígenas

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Respeitar a cultura foi o primeiro passo para fazer o cacau crescer na Terra Indígena Sete de Setembro

Produzir cacau de qualidade exige conhecimento técnico. Mas, dentro da Terra Indígena Sete de Setembro, o primeiro desafio foi outro: conquistar a confiança das famílias Paiter Suruí.

Foi essa experiência que o engenheiro florestal Dhyego Barbosa, técnico do SENAR Rondônia, compartilhou durante entrevista ao RURALCAST, apresentado por Adalto Costa, na cobertura especial do Dia de Campo Paiter Suruí, realizado na Comunidade Lapetanha, em Cacoal.

Há quase três anos atuando diretamente nas aldeias, Dhyego acompanha cerca de 30 produtores indígenas de cacau, distribuídos entre as linhas 9 e 15. O trabalho faz parte do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do SENAR, que atende mais de 600 produtores em Rondônia.

"Antes de ensinar, eu precisei aprender com eles. Foi entendendo a cultura dos Paiter Suruí que conseguimos construir uma relação de confiança."

A confiança abriu espaço para a tecnologia

Segundo Dhyego, levar novas técnicas de manejo para dentro das aldeias exigiu paciência e diálogo.

Nada aconteceu de forma imediata.

O trabalho começou com visitas frequentes, conversas e respeito aos costumes da comunidade.

Somente depois dessa aproximação foi possível iniciar a transferência de tecnologia.

"Não foi um processo rápido. Fomos aprendendo juntos e, aos poucos, conseguimos passar esse conhecimento."

Ninguém desistiu do projeto

Um dado apresentado pelo engenheiro resume bem o resultado desse relacionamento.

Dos 30 produtores que iniciaram o acompanhamento técnico, todos permanecem no programa.

Para ele, esse é um dos maiores indicadores de que o trabalho está dando resultado.

"Começamos com 30 produtores e, até hoje, nenhum deixou o projeto. Isso mostra que eles acreditam no que estamos construindo."

Além da permanência das famílias, o técnico observa uma evolução visível nas lavouras.

Áreas que estavam em formação hoje já entram em fase produtiva.

A assistência técnica mudou a realidade das propriedades

Antes da chegada do acompanhamento permanente, muitos produtores recebiam mudas e alguns insumos, mas não tinham orientação contínua sobre manejo, poda, adubação e condução da lavoura.

Segundo Dhyego, esse acompanhamento passou a fazer toda a diferença.

"O produtor recebia a muda, mas faltava alguém para acompanhar a evolução da lavoura. Hoje conseguimos ver claramente os resultados desse trabalho."

O reflexo aparece tanto na produtividade quanto na motivação das famílias.

O Dia de Campo fortalece toda a cadeia

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a importância do Dia de Campo realizado na comunidade.

Para Dhyego, reunir produtores indígenas, agricultores da região, cooperativas, empresas e instituições cria um ambiente favorável para novos negócios e troca de experiências.

"Quando produtores indígenas e não indígenas se encontram, todos aprendem e a agricultura cresce junto."

Além das palestras técnicas, o evento aproximou cooperativas de crédito, empresas de insumos e organizações parceiras dos produtores locais.

Quatro cadeias evoluindo ao mesmo tempo

O engenheiro destacou que o avanço observado não acontece apenas na cacauicultura.

Segundo ele, as cadeias do café, cacau, fruticultura e apicultura registraram crescimento significativo nos últimos anos dentro da Terra Indígena Sete de Setembro.

Algumas delas já conquistam reconhecimento estadual e nacional.

"Essas quatro cadeias deram um salto muito grande nos últimos dois anos."

Na avaliação do técnico, esse crescimento é resultado da união entre assistência técnica, dedicação dos produtores e parcerias institucionais.

Muito além da produção

Ao longo da conversa, Dhyego destacou que seu trabalho vai além do manejo das lavouras.

O acompanhamento constante permite criar vínculos com as famílias, compreender suas necessidades e construir soluções adaptadas à realidade da comunidade.

Segundo ele, acompanhar essa evolução é uma das maiores recompensas da profissão.

"É gratificante ver a felicidade dos produtores quando percebem que a lavoura está produzindo cada vez melhor."

Um futuro construído em parceria

Ao encerrar a entrevista ao RURALCAST, Dhyego agradeceu a oportunidade de apresentar o trabalho desenvolvido pelo SENAR Rondônia e reforçou que os resultados alcançados pertencem aos produtores indígenas.

Para ele, a assistência técnica é apenas uma ferramenta.

Quem realmente transforma a propriedade é o agricultor que coloca o conhecimento em prática todos os dias.

A experiência vivida na Terra Indígena Sete de Setembro mostra que desenvolvimento rural não acontece apenas com tecnologia. Ele nasce do respeito às pessoas, da troca de conhecimento e da construção de parcerias duradouras. É assim que a cacauicultura segue abrindo novos caminhos para as famílias Paiter Suruí e fortalecendo o agro de Rondônia.

Assista ao episódio completo


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