Rondônia

Afroempreendedores voltam da China com novas tecnologias, conexões e negócios em desenvolvimento

Redação

A recente viagem de um grupo de afroempreendedores brasileiros à China, com foco em universidades, fábricas inteligentes e centros de inovação em Ningbo, promete impactos duradouros em seus negócios. A experiência foi além do aprofundamento em inteligência artificial (IA) e manufatura avançada.

A iniciativa, promovida pelo Sebrae, reuniu 29 empreendedores e resultou no fortalecimento de redes, aceleração de projetos e na demonstração do potencial de soluções desenvolvidas em diversas regiões do Brasil, como a Amazônia e periferias, para competir no mercado global.

Os participantes foram fundadores de startups reconhecidas no Prêmio Sebrae de Startups 2025. A viagem faz parte do Programa Caminhos do Sul Global, uma parceria com o Ministério da Igualdade Racial. O Sebrae foi responsável pela seleção, comunicação e acompanhamento, garantindo acesso a treinamentos em IA, manufatura inteligente, design, gestão industrial e inovação.

Entre os empreendedores que participaram da imersão em maio, destaca-se Noanny Guimarães Maia, natural de Mocajuba (PA) e fundadora da Cacauaré. Sua startup valoriza o cacau nativo de várzea, transformando-o em produtos e soluções de alto valor agregado, ao integrar conhecimentos tradicionais, ciência, cultura e a conservação florestal. A Cacauaré surgiu da observação de que as comunidades amazônicas frequentemente se limitavam à fase de menor valor na cadeia produtiva do cacau.

Durante a viagem, Noanny constatou que a Amazônia pode ser vista como um polo de conhecimento e tecnologia, e não apenas como fonte de matéria-prima. Os conhecimentos adquiridos já estão sendo aplicados em projetos para aprimorar o controle de produção, rastreabilidade do cacau, gestão de estoques e previsão de demanda.

A empreendedora planeja, ainda, empregar ferramentas de IA para criar embalagens, imagens e narrativas que modernizem a apresentação da cultura amazônica, mantendo sua identidade. Ela ressalta: "Não voltei da missão querendo transformar a Amazônia em uma cópia da China. Voltei querendo oferecer à Amazônia novas ferramentas para que ela construa o próprio futuro".

Marcelo Arruda, de São Paulo, também exemplifica essa transformação. Ele é o fundador da Diversidade.io, uma plataforma que conecta empreendedores negros e fornecedores diversos a grandes corporações. A startup foi criada para dar visibilidade a negócios de qualidade que, de outra forma, permaneceriam desconhecidos no mercado corporativo, oferecendo soluções para geração de negócios, mapeamento do empreendedorismo negro, análise de impacto social e validação de dados.

Após a imersão internacional, Marcelo redefiniu prioridades e intensificou o desenvolvimento de ferramentas baseadas em IA e análise de dados. Entre elas, destaca-se o Black Maps, uma plataforma desenvolvida para mapear empreendimentos negros e sugerir clientes, fornecedores e parceiros alinhados ao perfil de cada negócio.

A viagem também resultou na aproximação da Diversidade.io com o Instituto Federal de Goiás (IFG), onde a empresa agora é incubada, promovendo a integração entre pesquisa acadêmica, desenvolvimento tecnológico e aplicação prática. Marcelo enfatiza: "A missão não produziu apenas inspiração. Ela ajudou a reorganizar prioridades, acelerar projetos e fortalecer a visão de que nossas plataformas precisam atuar de forma mais integrada, inteligente e escalável".

Espaços globais de inovação e tecnologia

Eraldo Ricardo dos Santos, gerente adjunto da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão (UEDI) do Sebrae Nacional, afirma que proporcionar acesso a empreendedores negros aos ecossistemas globais de inovação é um investimento crucial na criação de novos mercados, conexões e oportunidades para negócios de alto impacto.

Nosso objetivo é criar condições para que esses empreendedores ocupem espaços globais de inovação e tecnologia, ampliem sua competitividade e retornem ao Brasil preparados para transformar conhecimento em soluções que gerem desenvolvimento econômico e social.

Eraldo Ricardo dos Santos, gerente adjunto da UEDI do Sebrae Nacional

O gestor também destacou que a interação entre os participantes consolidou uma rede de fundadores com desafios em comum, fomentando novas parcerias. Além disso, a conexão com universidades, centros de pesquisa, governos e empresas impulsiona a internacionalização e o crescimento de startups lideradas por pessoas negras.

Noanny sintetiza esse potencial ao defender que empreendimentos liderados por pessoas negras devem ser valorizados como uma força inovadora para o país, afirmando: "Nossa origem não determina o limite dos nossos sonhos". Marcelo, por sua vez, argumenta que o progresso desse ecossistema requer oportunidades deliberadas de acesso a capital, tecnologia, grandes clientes e mercados internacionais. Ele conclui: "O empreendedor negro não deve apenas acompanhar o futuro. Precisamos participar ativamente de sua construção".

Apoio do Sebrae

O Sebrae oferece apoio aos empreendedores em diversas áreas para aprimorar a gestão e fortalecer seus negócios, incluindo:

  • Afroempreendedorismo: O Portal Sebrae lançou, no início de julho, uma página especial dedicada ao tema, com conteúdos, capacitações e soluções para fortalecer negócios liderados por pessoas negras.
  • Sebrae Startups: Uma plataforma que reúne todas as iniciativas do Sebrae para startups no Brasil, visando fomentar o empreendedorismo inovador e apoiar o desenvolvimento de startups em todas as suas fases.
  • Plataforma ESG: Um recurso sobre práticas ambientais, sociais e de governança, direcionado a microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.

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