Com 23 casos de sarampo confirmados no estado de São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) reforça a necessidade de vacinação para a população de 6 meses a 59 anos residente nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A imunização está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A SES-SP detalha que, dos 23 casos confirmados, dois foram importados e os demais estão relacionados à importação, embora a fonte de infecção ainda não tenha sido identificada. Até o momento, 16 pacientes não possuíam histórico de vacinação ou estavam com o esquema vacinal incompleto.
A vacinação indiscriminada nesses municípios, onde os casos foram registrados, foi efetuada para diminuir o risco de disseminação da doença, segundo a SES-SP. Para pessoas que irão se deslocar temporariamente para as cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a recomendação é verificar sua situação vacinal e manter a caderneta atualizada.
Nos demais municípios do estado, a secretaria orienta a intensificação das ações de vacinação por meio da verificação da situação vacinal da população, da busca ativa e da atualização das doses em atraso, conforme a idade e as recomendações do Calendário Nacional de Vacinação.
De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo Prof. Alexandre Vranjac, a partir dos 6 meses de idade, a criança já consegue desenvolver resposta imunológica à vacina tríplice viral e, ao mesmo tempo, pode não estar mais protegida pelos anticorpos maternos.
Para pessoas com 60 anos ou mais, a vacinação indiscriminada não é recomendada, pois considera-se que grande parte dessa população já teve contato natural com o vírus ao longo da vida, apresentando imunidade duradoura.
A vacina tríplice viral é contraindicada para gestantes por ser produzida com vírus atenuados (enfraquecidos). Pessoas com imunodeficiência grave ou indivíduos com histórico de alergia grave (anafilaxia) a algum componente da fórmula também não devem tomar o imunizante.
As lactantes podem receber a vacina normalmente. A amamentação não precisa ser interrompida, pois o imunizante não oferece riscos ao bebê.
Situação Atual e Desafios
Melissa Palmier, vice-presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm-SP), explicou que o Brasil ainda mantém o status de país livre do sarampo, de acordo com as premissas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), responsável por emitir esse certificado.
Ela relembrou que o país perdeu a certificação em 2019 após um surto prolongado, mas reconquistou essa vitória após um intenso esforço de vacinação e vigilância. Para que o status de eliminação seja perdido novamente, o mesmo vírus precisa circular de forma sustentada no país por mais de 12 meses contínuos.
Melissa destaca que a atual situação observada no estado de São Paulo decorre da combinação de casos importados com “bolsões de pessoas não vacinadas”. Como o vírus circula ativamente em diversos países da Europa, Ásia e Américas, ele viaja junto com as pessoas.
A especialista explicou que, quando uma pessoa infectada chega a uma comunidade onde a cobertura vacinal está abaixo do ideal, o vírus encontra campo fértil para se espalhar. Ela comparou a situação a uma “parede blindada”: se 95% de cada 100 pessoas estão vacinadas, elas formam uma barreira que impede a proliferação do vírus. Se a cobertura cai para 70%, abrem-se “janelas” nessa parede, atingindo os mais vulneráveis.
Para Melissa, apesar dos desafios, é possível controlar os casos atuais, já que o país ainda mantém o status de livre da doença e o sarampo, tendo o ser humano como único reservatório, é eliminável. Ela afirmou: “Nós dispomos de uma excelente ferramenta, que é uma vacina gratuita, altamente eficaz e segura, que é a tríplice viral, ou SCR, sarampo, caxumba e rubéola”.
Entretanto, ela destaca que o controle exige vigilância epidemiológica ativa para atestar rapidamente qualquer suspeita de febre, sintomas respiratórios importantes e pessoas que apresentem manchas avermelhadas na pele. A partir daí, deve-se isolar o paciente suspeito e depois aquele confirmado, além de utilizar máscara. O segundo ponto são as ações de bloqueio vacinal, buscando a imunização dos contatos desse indivíduo em até 72 horas para cortar a cadeia de transmissão.
Melissa ressalta que a resposta nos municípios onde o estado tenta controlar o vírus deve ser rápida, já que o sarampo é um dos vírus mais contagiosos, com uma pessoa podendo transmitir a doença para até 18 não imunizadas.
A estratégia é vacinar nos postos, mas também ir aonde a população está, como tem ocorrido na cidade de São Paulo. E devemos sempre combater a hesitação vacinal e a desinformação, com dados científicos claros, mostrando o grande benefício que é se vacinar em relação ao grande risco que é ter a doença, explicou.