O empreendedorismo negro, com mais de 15 milhões de afroempreendedores no Brasil, emerge como uma via crucial para a geração de renda, autonomia e desenvolvimento da população negra. As discussões sobre os desafios e as oportunidades para o fortalecimento desses negócios foram um dos pontos centrais no último domingo (16) na Arena Plural da Feira do Empreendedor do Maranhão, realizada em São Luís.
Apesar da notável presença no cenário empreendedor brasileiro, muitos desses empreendimentos ainda enfrentam obstáculos significativos para sua expansão e consolidação. As principais dificuldades incluem o acesso limitado a crédito, a restrição a novos mercados e a carência de formalização das atividades.
Eraldo Ricardo dos Santos, gerente adjunto da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae Nacional, destacou que a população negra constitui mais da metade dos proprietários de negócios no país, mas ainda se depara com barreiras estruturais. Ele informou que o faturamento médio mensal desses empreendimentos gira em torno de R$ 2,5 mil.
Santos apontou que apenas 25% dos afroempreendedores conseguiram acesso a alguma forma de crédito, e mais de 90% operam sem CNPJ. Essa situação, segundo ele, restringe consideravelmente as chances de financiamento e de inserção em novos mercados.
Para reverter esse quadro, o Sebrae tem intensificado suas atividades, oferecendo capacitação, orientação empresarial e facilitando o acesso a oportunidades de mercado. A instituição também promove iniciativas focadas na formalização e no aprimoramento da gestão dos negócios.
Eraldo dos Santos ressaltou o contínuo esforço do Sebrae em adaptar sua abordagem para atender melhor a esses empreendedores. "Todos os dias a gente vem se aperfeiçoando, principalmente na linguagem e na jornada dessas pessoas, para que possamos, por meio dos nossos conteúdos, capacitações, oficinas e palestras, levar conhecimento para alavancar esses negócios", afirmou o gerente adjunto de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae Nacional.
Redes de apoio
Além da capacitação e do acesso a políticas de apoio, a formação de redes entre empreendedores é vista como uma estratégia eficaz para superar obstáculos e expandir oportunidades.
Ana Rosa Silva, fundadora da Feira MA Preta, idealizadora do Festival de Literatura Preta e CEO da Nega Mina Consultoria, dedica-se há mais de uma década ao apoio de mulheres empreendedoras. Ela identifica a escassez de investimento, de capital semente e de políticas específicas como os maiores desafios para o fortalecimento desses empreendimentos.
Silva enfatizou que, embora o racismo estrutural seja um grande desafio, a inovação representa a maior força do empreendedorismo negro. "O Brasil é um país plural, e a verdadeira potência do nosso estado está nas pessoas", declarou.
Corroborando essa visão, Vinicius Sirino, fundador de empresas como a Compliance Shield, sublinha a importância da criação de redes entre indivíduos negros. Para ele, essa prática é fundamental para ampliar conexões, fomentar novos negócios e garantir que os recursos financeiros circulem dentro da própria comunidade empreendedora.
Sirino descreveu o "aquilombamento" como um diferencial crucial no empreendedorismo negro. "Quando essas pessoas se juntam, a gente consegue criar um impacto maior, fazer networking, contratar umas às outras e fazer o dinheiro circular dentro da própria comunidade empreendedora", explicou.
Portal
Visando expandir e aprimorar o atendimento a esse segmento, o Sebrae lançou o Portal Afroempreendedorismo. Este ambiente digital oferece uma variedade de conteúdos, capacitações e soluções destinadas a pessoas negras que já atuam como empreendedoras ou que aspiram iniciar seu próprio negócio.