Brigadistas ganham força no enfrentamento às queimadas
Em um período marcado pelo aumento do risco de incêndios em Rondônia, o trabalho dos brigadistas tornou-se um dos temas de destaque do RuralCast, produzido durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho.
Convidado do apresentador Adalto Costa, Marcelo Vasconcelos explicou que a associação já existe há aproximadamente uma década, mas ganhou maior força de atuação recentemente.
Segundo o supervisor, a equipe reúne profissionais de diferentes áreas, formando uma estrutura preparada tanto para o combate ao fogo quanto para situações emergenciais.
“Nossa equipe é composta por bombeiros civis, socorristas, técnicos de enfermagem e brigadistas florestais.”
Marcelo destacou que a união desses profissionais permitiu ampliar a capacidade operacional da entidade em Porto Velho, especialmente no enfrentamento aos incêndios e queimadas irregulares.
Denúncias ajudam equipes a chegar rapidamente aos focos
Durante a entrevista, Marcelo explicou que existe uma parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMA) para o recebimento e encaminhamento das denúncias.
As informações também podem chegar por meio de registros feitos pela própria população, inclusive acompanhados de fotografias e localização do foco.
A partir do recebimento da ocorrência, as equipes realizam o deslocamento para verificar a situação e iniciar o combate quando necessário.
“Eles mandam a localização, chega até o nosso conhecimento e a gente parte em busca desse foco de incêndio fazendo o combate.”
Segundo o entrevistado, o tempo de resposta das equipes pode ficar em aproximadamente oito a dez minutos, dependendo das condições da ocorrência.
Diálogo também faz parte do combate
Nem todo atendimento começa diretamente com equipamentos e água. Em determinadas situações envolvendo pequenos focos ou queimadas domésticas, os brigadistas procuram inicialmente orientar o responsável.
Marcelo explicou que o objetivo não é apenas apagar o fogo, mas evitar que a situação volte a acontecer.
“Tudo na base do diálogo.”
Depois da abordagem, são repassadas informações ao morador sobre os riscos e a necessidade de não repetir a prática.
A preocupação não termina quando as chamas são eliminadas. A fumaça pode permanecer na atmosfera por muito mais tempo e atingir moradores de diferentes regiões.
Viaturas, motobombas e caminhão-pipa fazem parte da estrutura
Para enfrentar os focos de incêndio, as equipes contam com uma estrutura formada por viaturas adaptadas, água, motobombas, bombas costais, abafadores e sopradores.
Quando uma primeira equipe identifica que o incêndio alcançou proporções maiores, outros profissionais podem ser acionados.
Marcelo destacou ainda a incorporação de um caminhão-pipa com capacidade para aproximadamente 21 mil litros de água, equipamento que passou a reforçar significativamente as operações.
Essa estrutura permite que os brigadistas atuem principalmente no primeiro enfrentamento ao fogo e também prestem apoio em ocorrências de maior complexidade.
Missão é apoiar o Corpo de Bombeiros Militar
Outro ponto esclarecido durante o RuralCast foi a relação entre os brigadistas e o Corpo de Bombeiros Militar.
Marcelo ressaltou que a missão da Brigada Municipal é atuar como força de apoio.
“A Brigada Municipal veio para apoiar o Bombeiro Militar.”
Em determinadas situações, os brigadistas podem chegar antes ao local e iniciar o combate. Quando o Corpo de Bombeiros assume a ocorrência, a equipe permanece auxiliando enquanto houver necessidade.
A atuação conjunta amplia a capacidade de resposta principalmente durante os períodos em que vários focos surgem simultaneamente.
Queima de lixo está entre as causas das ocorrências urbanas
Um dos pontos de maior preocupação apresentados na entrevista está dentro dos próprios bairros de Porto Velho.
Segundo Marcelo, existem ocorrências provocadas por fogueiras próximas a áreas de vegetação e também por moradores que colocam fogo em lixo acumulado nos quintais.
O problema é que uma chama inicialmente pequena pode alcançar rapidamente terrenos próximos.
Na área rural, a preocupação envolve queimadas realizadas sem os procedimentos adequados. Nessas circunstâncias, o fogo pode ultrapassar os limites da propriedade e atingir áreas vizinhas.
Marcelo resumiu esse risco durante a entrevista:
“O fogo não respeita fronteiras, ele ultrapassa cercas.”
A consequência pode ser a destruição de vegetação, propriedades e áreas produtivas, gerando prejuízos inclusive para produtores que não tiveram qualquer participação no início do incêndio.
Educação ambiental começa pelas crianças
O trabalho dos brigadistas não está limitado ao atendimento de ocorrências.
A prevenção e a educação ambiental também fazem parte das ações desenvolvidas pelas equipes.
Marcelo contou que os profissionais realizam panfletagens e visitam escolas para conversar com estudantes, apresentar equipamentos e explicar os riscos das queimadas.
“É mais importante a prevenção.”
A estratégia de trabalhar com as crianças também busca levar informação para dentro das famílias. A expectativa é que o conhecimento adquirido durante uma palestra possa fazer com que os próprios estudantes questionem comportamentos inadequados praticados em casa.
Além das crianças, adolescentes e adultos também fazem parte das ações de conscientização.
Mais de 230 ocorrências em apenas um mês
Um dos números de maior impacto apresentado no podcast foi o volume de ocorrências atendidas.
Marcelo afirmou que, no primeiro mês de atuação citado durante a conversa, foram registrados mais de 230 atendimentos relacionados a focos de incêndio.
“No primeiro mês tivemos mais de 230 ocorrências.”
Segundo ele, aproximadamente 80% dos focos registrados nesse período estavam concentrados na Zona Leste de Porto Velho.
O número demonstra a dimensão do desafio enfrentado pelas equipes e reforça a necessidade de combinar fiscalização, combate e conscientização.
Pequena fogueira pode se transformar em incêndio de grandes proporções
Durante a conversa, Marcelo chamou atenção para um comportamento aparentemente simples, mas que pode provocar consequências graves: juntar folhas, galhos, madeira ou lixo e colocar fogo.
Com vegetação seca e altas temperaturas, as chamas podem alcançar áreas próximas rapidamente.
“Um fogo pequeno acaba virando um fogo de uma proporção inimaginável.”
Entre os materiais encontrados nas queimadas domésticas estão folhas, galhos, madeira velha, lixo e até objetos descartados.
Por isso, a orientação é evitar completamente a utilização do fogo para eliminar esses resíduos.
Fumaça também representa ameaça à saúde
Mesmo quando uma queimada não destrói uma residência ou uma área de vegetação, ela pode causar consequências à saúde.
Marcelo destacou que apagar as chamas não significa eliminar imediatamente o problema.
“O fogo a gente apaga, mas a fumaça acaba se propagando e fica na atmosfera.”
Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios estão entre os grupos que podem sofrer mais intensamente com a poluição provocada pelas queimadas.
Dessa maneira, o combate aos incêndios também representa uma ação de proteção à saúde pública.
Drone amplia capacidade de localização dos incêndios
A tecnologia tornou-se outra ferramenta importante para as equipes.
Durante a entrevista, Marcelo apresentou o uso de um drone, chamado pela equipe de “Falcão”, para auxiliar na identificação e acompanhamento dos focos.
“A tecnologia veio para nos ajudar mesmo.”
O equipamento permite observar áreas que seriam mais difíceis de alcançar rapidamente por terra e oferece uma visão ampla da situação.
Com as imagens, os brigadistas conseguem identificar fumaça, avaliar a localização de determinados focos e organizar melhor o deslocamento das equipes.
Segundo Marcelo, o drone também contribuiu para esclarecer situações envolvendo possíveis responsáveis pelo início de incêndios.
Incêndio quase atingiu residência de idosa
Entre as ocorrências relatadas no RuralCast, Marcelo contou o caso de uma moradora que colocou fogo em folhas no quintal.
O que começou como uma pequena queima ganhou força e avançou até colocar a própria residência em risco.
“O fogo tomou uma proporção tão grande que ia chegar ao ponto de consumir a residência dela.”
A equipe conseguiu chegar a tempo e controlar as chamas.
O episódio exemplifica um dos principais alertas feitos ao longo da entrevista: não é possível prever até onde uma pequena fogueira pode chegar quando encontra vegetação seca e condições favoráveis à propagação.
Brigadistas também realizam resgate de animais
Os impactos das queimadas não ficam restritos às pessoas e propriedades.
Marcelo relatou que durante os atendimentos são encontrados animais mortos ou feridos pelas chamas.
A equipe também já conseguiu realizar resgates.
Entre os casos lembrados durante a entrevista estão três gatos encontrados dentro de uma caixa e um cachorro que estava em uma área de vegetação ameaçada pelo fogo.
“Conseguimos fazer esses resgates também.”
O relato evidencia outra dimensão dos incêndios: a destruição da fauna e o sofrimento de animais domésticos e silvestres.
Participação na 2ª AGROTEC aproxima brigadistas da comunidade
A presença na 2ª AGROTEC também foi utilizada como ferramenta de aproximação com a sociedade.
Segundo Marcelo, a participação no evento permite que moradores conheçam melhor o trabalho realizado e tenham contato com os equipamentos utilizados pelas equipes.
A associação levou para a feira espaços destinados à apresentação dos materiais e também estrutura relacionada a primeiros socorros.
A participação reforça uma estratégia que combina combate, prevenção, educação e aproximação com a população.
“Diga não às queimadas”
Na parte final do RuralCast, Marcelo deixou uma mensagem direta aos moradores de Porto Velho e de Rondônia.
“Queimadas: diga não às queimadas e denuncie.”
Ele orientou a população a procurar os canais oficiais quando identificar uma situação de risco e reforçou que uma pequena fogueira pode evoluir rapidamente.
“Aquela fogueirinha pode virar um fogo bem grande.”
Segundo o supervisor, dependendo das circunstâncias, um incêndio pode provocar prejuízos materiais, danos ambientais e até colocar vidas em risco.
Evitar queimadas domésticas, não colocar fogo em resíduos, denunciar focos e compreender que as chamas podem ultrapassar os limites de uma propriedade são atitudes que contribuem diretamente para proteger vidas, propriedades, animais e o meio ambiente.
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