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ASSISTA: Café especial do povo Suruí alcança nota máxima e fortalece produção indígena em Rondônia

Rafael Mopimop destaca no RuralCast a trajetória familiar, os cuidados com a produção e a importância do café para a geração de renda e a valorização da cultura Suruí

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Tradição familiar transformada em café de excelência

A produção de café do povo Suruí ganhou destaque durante a cobertura especial do RuralCast na 2ª AGROTEC, realizada em Porto Velho, Rondônia. O convidado Rafael Mopimop compartilhou uma história marcada pela agricultura familiar, pelo conhecimento transmitido entre gerações e pela busca constante por qualidade.

Durante a entrevista conduzida pelo apresentador Inácio Rocha, Rafael explicou que sua relação com a cafeicultura começou ainda na infância, acompanhando o trabalho do pai, que já cultivava café em 1982.

Ao longo dos anos, a atividade passou por uma grande transformação. O conhecimento tradicional da família foi fortalecido por cooperativas, parcerias e capacitações voltadas à produção de cafés especiais.

Segundo Rafael, esse processo permitiu aprimorar todas as etapas da produção, desde o manejo da lavoura até a preparação final dos grãos.

“O café mudou muito porque a gente fez cooperativa e conseguiu parceiros. Eles ensinaram como trabalhar o café especial, e a gente foi aprendendo e melhorando.”

Café Suruí alcança a nota máxima

Um dos pontos centrais da entrevista foi a conquista dos 100 pontos, considerada a nota máxima para um café especial. O resultado colocou a produção da família Mopimop em evidência no cenário cafeeiro de Rondônia e do Brasil.

Rafael atribuiu a conquista ao cuidado empregado em todas as etapas do processo produtivo. A qualidade começa na lavoura e continua durante a colheita, a poda, a secagem e a seleção minuciosa dos grãos.

“Para chegar a esse ponto, todo o processo precisa ser trabalhado com muito cuidado e carinho: a colheita, a poda, a secagem e a seleção.”

Para o produtor, o diferencial está justamente na atenção dedicada ao café e no envolvimento direto da família.

“É com amor que a gente consegue essa qualidade.”

O café especial Suruí produzido pela família conquistou premiações consecutivas. Rafael contou que foi campeão em 2024 e voltou a vencer em 2025, quando alcançou a pontuação máxima. Na mesma competição, seu filho ficou com a segunda colocação, demonstrando a continuidade do trabalho dentro da família.

“Em 2024 fui campeão. Em 2025 ganhei novamente, com a nota máxima de 100 pontos. Meu filho trabalha comigo e foi vice-campeão.”

Produção familiar garante continuidade ao projeto

O envolvimento familiar ocupa uma posição central no desenvolvimento do café Mopimop. Esposa, filhos e outros integrantes da comunidade participam das atividades, permitindo que os conhecimentos acumulados sejam transmitidos às novas gerações.

A produção começou com aproximadamente quatro pessoas e atualmente reúne dez trabalhadores. A expectativa é ampliar o projeto e criar novas oportunidades de emprego dentro da aldeia.

“Trabalhar com a família é muito importante para deixar o aprendizado para os filhos e garantir a continuidade.”

A sucessão familiar também tem sido fortalecida pela educação. Jovens indígenas que estudam agronomia ou realizam cursos técnicos podem aplicar os conhecimentos adquiridos na propriedade e compartilhar as informações com toda a comunidade.

Rafael destacou que o café criou novas perspectivas para os jovens, possibilitando que eles estudem, retornem ao território e encontrem oportunidades profissionais dentro da própria aldeia.

“Hoje, o jovem estuda, tem emprego na aldeia e quer trabalhar com café. Ele volta para aplicar o que aprendeu e compartilhar com a comunidade.”

Conquista combate preconceitos contra os indígenas

Além da importância econômica, a nota máxima conquistada pelo café representa uma vitória para o povo Suruí. Rafael ressaltou que o reconhecimento ajuda a combater preconceitos e demonstra a capacidade produtiva das comunidades indígenas.

“Quando a gente ganhou os 100 pontos, ajudou a quebrar essa ideia de que indígena não trabalha. A gente trabalha, sim.”

O produtor também defendeu a união entre agricultores indígenas e não indígenas, destacando que todos enfrentam desafios semelhantes no campo.

“Agricultor é uma raiz só. Indígena e não indígena fazem parte da mesma família.”

A declaração evidencia que a cafeicultura pode funcionar como instrumento de integração, reconhecimento social e valorização dos produtores rurais.

Capacitação leva baristas para dentro da aldeia

As parcerias estabelecidas pela comunidade também abriram espaço para a qualificação profissional. Rafael contou que integrantes de sua família foram capacitados como baristas, permitindo que o próprio povo Suruí prepare e apresente o café aos visitantes.

Atualmente, a aldeia conta com quatro baristas. Entre eles estão o filho e o sobrinho do produtor. Um dos jovens, inclusive, conquistou uma competição da categoria.

“Hoje temos baristas na aldeia. Meu filho e meu sobrinho participaram da capacitação, e um deles foi campeão.”

Essa formação ajuda a agregar valor ao produto, pois permite apresentar aos consumidores não apenas o grão, mas também todo o processo de preparo, os aromas, os sabores e a história existente em cada xícara.

Qualidade acima da quantidade

A família Mopimop já realiza etapas importantes do beneficiamento dentro da aldeia. A estrutura inclui equipamento para descascar o café e um pequeno torrador, utilizado na produção do café torrado e moído.

O produto também é comercializado em diferentes versões, incluindo café em grãos, moído e fermentado.

Rafael explicou que o projeto ainda não trabalha com grandes volumes. A prioridade é preservar o padrão alcançado e entregar um produto diferenciado.

“Quantidade a gente ainda não tem, mas qualidade a gente tem. A qualidade vem sempre.”

Esse posicionamento demonstra que a estratégia da família está voltada ao mercado de cafés especiais, no qual a procedência, o cuidado artesanal e as características sensoriais são elementos decisivos.

Premiações são reinvestidas na propriedade

Os recursos conquistados nas competições foram direcionados ao fortalecimento da própria produção. Rafael informou que os valores recebidos ajudaram na compra de equipamentos, na implantação de irrigação e em outras melhorias na lavoura.

“A gente aproveita a oportunidade para investir na lavoura, comprar motor, fazer irrigação e melhorar o trabalho com o café.”

O reinvestimento contribui para aumentar a segurança produtiva, aprimorar a estrutura e manter a qualidade do café nas próximas safras.

Comercialização ainda representa um desafio

Apesar do reconhecimento e das premiações, Rafael revelou que a comercialização continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas pela família.

O café desperta interesse de visitantes e compradores de outros estados, mas ainda precisa conquistar uma presença mais forte no mercado de Rondônia. A divulgação, a participação em feiras e o apoio de instituições são fundamentais para aproximar o produto dos consumidores.

“Ainda está muito difícil encontrar mercado para vender. Quem visita a aldeia ajuda, compra um pouco, leva e também contribui com a divulgação.”

A participação na 2ª AGROTEC foi considerada uma oportunidade importante para apresentar o produto, estabelecer contatos e procurar novos canais de comercialização.

“Foi uma experiência muito boa para conhecer pessoas e descobrir onde a gente pode levar esse café para o mercado.”

O produtor também manifestou o desejo de comercializar oficialmente o café fora do Brasil. Embora o produto já tenha despertado interesse internacional, a família ainda trabalha na estruturação necessária para ampliar sua atuação.

Café, turismo e cultura na Aldeia Pérola

Rafael Mopimop também convidou o público a conhecer a Aldeia Pérola, localizada na região de Cacoal. Além da produção cafeeira, a comunidade oferece experiências relacionadas à cultura Suruí.

Os visitantes podem conhecer a lavoura, degustar o café especial, experimentar comidas típicas e adquirir peças de artesanato produzidas na própria comunidade.

“Quero convidar todos para conhecer a aldeia. Lá tem café de qualidade, pontos turísticos, comida típica, artesanato e outras coisas da nossa cultura.”

A iniciativa transforma a cafeicultura em uma experiência turística e cultural. Ao visitar a aldeia, o público conhece a origem do produto, acompanha parte do processo produtivo e estabelece contato direto com a história do povo Suruí.

Um café que carrega história, identidade e futuro

A trajetória apresentada por Rafael Mopimop no RuralCast demonstra que a produção de café especial ultrapassa os aspectos econômicos. O cultivo fortalece os vínculos familiares, cria emprego, incentiva os jovens a permanecerem no território e amplia a visibilidade da cultura indígena.

O café nota 100 da família Mopimop simboliza o resultado da união entre tradição, capacitação, tecnologia e cuidado artesanal. Ao mesmo tempo, mostra o potencial de Rondônia para produzir cafés especiais reconhecidos nacionalmente.

A entrevista também reforçou a necessidade de ampliar o apoio à divulgação e à comercialização desses produtos, permitindo que a excelência alcançada dentro da aldeia chegue a um número maior de consumidores no Brasil e no exterior.

O episódio foi apresentado por Inácio Rocha e integra a cobertura especial do RuralCast, uma produção do Grupo Amazun para o canal Olá Rondônia, diretamente da 2ª AGROTEC, em Porto Velho.


Assista à entrevista completa no canal Olá Rondônia:



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