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ASSISTA: Aplicativo SAMAÚMA propõe integrar geradores, cooperativas e poder público na gestão de resíduos

Criada por uma equipe de jovens durante um hackathon, a plataforma busca rastrear coletas, fortalecer cooperativas e transformar informações sobre resíduos em dados úteis para a gestão pública

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Tecnologia desenvolvida para enfrentar um problema real

A inovação, a sustentabilidade e o empreendedorismo jovem ganharam destaque em mais uma entrevista realizada pelo RuralCast, podcast do Grupo Amazun, durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho.

Em conversa com o apresentador Inácio Rocha, a jovem empreendedora Júlia Moraes de Almeida apresentou o aplicativo SAMAÚMA, uma plataforma criada para melhorar a rastreabilidade e a gestão de resíduos sólidos.

Com apenas 15 anos, Júlia integra a equipe responsável pelo projeto, que nasceu durante a segunda edição de um hackathon dedicado à busca de soluções para a economia circular e o desenvolvimento sustentável.

“A edição buscava desenvolver soluções para a economia circular. Identificamos uma dor real no nosso município: o cadastro dos grandes geradores de resíduos”, explicou Júlia.

A partir da identificação desse problema, a equipe desenvolveu uma proposta capaz de integrar os principais participantes da cadeia: grandes geradores, cooperativas responsáveis pelas coletas e órgãos públicos encarregados do acompanhamento e da fiscalização.

“Criamos a SAMAÚMA, uma startup que integra os grandes geradores de resíduos, as cooperativas que captam esses materiais e a gestão pública, para que seja possível analisar e rastrear todo esse processo”, afirmou.

Quem poderá utilizar a plataforma?

A SAMAÚMA foi projetada inicialmente para atender três públicos principais: os grandes geradores de resíduos, as cooperativas e o poder público.

Os grandes geradores incluem empresas, condomínios, estabelecimentos e outras organizações que produzam volumes elevados de resíduos. Após o cadastramento, eles poderão registrar suas informações, apresentar o plano relacionado ao gerenciamento dos materiais e solicitar o atendimento de uma cooperativa.

As cooperativas poderão visualizar as demandas, organizar as coletas e registrar as etapas do serviço. Já o poder público terá acesso a indicadores, mapas e informações sobre o funcionamento da cadeia de resíduos.

“Cada um desses públicos será um ator dentro da plataforma: os grandes geradores, as cooperativas e a gestão pública, que poderá analisar todos esses dados”, detalhou Júlia.

A proposta procura resolver um problema recorrente: a falta de comunicação integrada entre quem gera os resíduos, quem realiza a coleta e quem precisa acompanhar os resultados.

PGRS padronizado e integrado ao atendimento

Entre as funcionalidades previstas está o preenchimento do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos — PGRS, documento utilizado para demonstrar como determinado empreendimento realiza o manejo, o armazenamento, o transporte e a destinação de seus resíduos.

Na plataforma, o grande gerador poderá realizar seu cadastro e preencher as informações necessárias para gerar o documento de maneira padronizada. A partir desse registro, será possível solicitar o atendimento de uma cooperativa disponível no sistema.

“O condomínio ou a empresa fará o cadastro e poderá emitir o PGRS, que já estará padronizado. Depois disso, poderá entrar em contato com uma cooperativa e gerar a demanda daquela coleta”, explicou.

A simplificação do procedimento pretende facilitar o cumprimento das obrigações ambientais e diminuir a circulação de informações fragmentadas, documentos dispersos e registros sem padronização.

Quando for legalmente exigível, a proposta também prevê a integração das informações ao Manifesto de Transporte de Resíduos — MTR, fortalecendo a documentação e a comprovação da movimentação dos materiais.

Rastreamento desde a geração até a destinação final

O principal diferencial da SAMAÚMA é a possibilidade de acompanhar toda a jornada do resíduo. O processo começa com o cadastro do gerador e o registro da quantidade estimada de materiais disponíveis para coleta.

Depois da solicitação, a cooperativa poderá aceitar a demanda, realizar o atendimento e registrar informações relacionadas ao transporte, à pesagem e ao recebimento dos resíduos.

“A cooperativa vai buscar aquele material e nós estaremos rastreando tudo do início ao fim”, resumiu a cofundadora.

O fluxo permite acompanhar as etapas entre a geração e a destinação final, aumentando a transparência e reduzindo falhas na documentação.

Com os registros digitais, a plataforma poderá gerar comprovantes de atendimento e documentos relacionados às coletas, permitindo que empresas, condomínios e outros geradores demonstrem que encaminharam corretamente seus resíduos.

A rastreabilidade também facilita a identificação do tipo e da quantidade de material recolhido, da cooperativa responsável, da data do atendimento, do transporte utilizado e da destinação aplicada.

Conexão direta com as cooperativas

Na prática, os grandes geradores poderão consultar as cooperativas cadastradas e verificar quais estão disponíveis para atender determinada solicitação.

“O grande gerador poderá verificar onde está a cooperativa e quais estão disponíveis no sistema. A partir dali, eles poderão iniciar o processo de contratação”, explicou Júlia.

Essa conexão cria uma relação mais organizada entre os geradores e as organizações responsáveis pela coleta seletiva. As cooperativas passam a receber demandas registradas, com informações sobre o volume estimado, o endereço e os materiais disponíveis.

Ao mesmo tempo, o gerador obtém maior segurança sobre o atendimento e a destinação dos resíduos, uma vez que as etapas ficam documentadas dentro da plataforma.

Formalização e valorização do trabalho dos catadores

A SAMAÚMA também apresenta uma dimensão social. Ao registrar as solicitações, os atendimentos, os materiais coletados e os resultados das operações, a plataforma contribui para tornar mais visível o trabalho desenvolvido pelas cooperativas e pelos catadores.

Os dados das coletas poderão formar um histórico de serviços prestados e materiais recuperados. Esse registro ajuda a comprovar atendimentos, organizar a rotina das cooperativas e gerar informações relacionadas à renda obtida com a atividade.

“É uma questão de desenvolvimento social muito grande. Estamos buscando entender melhor as dores dos cooperados, das cooperativas e dos catadores”, destacou Júlia.

Segundo a jovem empreendedora, o projeto pretende avançar gradualmente. O atendimento começará pelas cooperativas, mas a equipe deseja ampliar o alcance da solução para cooperados e, futuramente, catadores autônomos.

“Vamos descendo os degraus: cooperativas, cooperados e catadores autônomos. Sabemos que muitos catadores, sozinhos, não conseguiriam atender à demanda de um grande gerador”, ponderou.

Esse modelo reconhece a importância da organização coletiva. As cooperativas conseguem reunir trabalhadores, veículos, equipamentos e capacidade operacional suficientes para atender demandas maiores.

Capacitação e acessibilidade digital

A equipe também planeja promover capacitações para os usuários da plataforma, principalmente para os integrantes das cooperativas.

A intenção é desenvolver um sistema intuitivo, com linguagem simples e funções acessíveis para pessoas que não possuem grande familiaridade com tecnologias digitais.

“Queremos simplificar esse processo, e não dificultar ainda mais. Por isso, precisamos ensinar como utilizar a plataforma e mostrar as formas mais fáceis de realizar cada procedimento”, disse Júlia.

As capacitações deverão abordar o funcionamento do aplicativo, o registro das coletas, o preenchimento das informações e a emissão dos comprovantes.

A acessibilidade será determinante para que a tecnologia não se transforme em uma nova barreira para os trabalhadores. O objetivo é fazer com que a digitalização ajude a organizar a atividade sem excluir quem possui menor experiência com sistemas eletrônicos.

Informações estratégicas para o poder público

A gestão municipal terá acesso a painéis com mapas, indicadores e dados relacionados aos grandes geradores, às cooperativas e às demandas existentes.

“A gestão pública poderá observar tudo. Terá mapas e indicadores mostrando onde estão os grandes geradores, quais são as demandas das cooperativas, onde elas precisam de apoio e quais são as possíveis irregularidades”, explicou.

Essas informações poderão auxiliar na identificação das regiões com maior geração de resíduos, dos materiais mais descartados e das áreas que necessitam de ampliação da coleta seletiva.

Os dados auditáveis também poderão demonstrar a quantidade de resíduos desviada do aterro sanitário e encaminhada à reciclagem. Isso cria condições para uma gestão baseada em evidências, permitindo que políticas públicas sejam planejadas a partir de informações concretas.

Com dados confiáveis, o município poderá avaliar resultados, definir prioridades, direcionar investimentos e acompanhar o cumprimento das responsabilidades ambientais de empresas e grandes geradores.

Reciclagem reduz gastos e impactos ambientais

Durante a entrevista, Júlia também chamou atenção para os impactos causados pelo descarte inadequado. Quando materiais recicláveis são enviados ao aterro sanitário, eles ocupam um espaço que deveria ser destinado apenas aos rejeitos e reduzem a vida útil da estrutura.

“Aquilo que produzimos pode virar rejeito e seguir para o aterro sanitário. Isso representa um gasto público e reduz a vida útil do próprio aterro”, alertou.

Separar papel, plástico, vidro e outros materiais recicláveis diminui o volume destinado ao aterro e permite que esses produtos retornem à cadeia produtiva.

A destinação adequada também contribui para reduzir a poluição, a emissão de gases e os problemas urbanos provocados pelo lixo descartado em locais impróprios.

“A separação de recicláveis dentro de casa, começando por cada um de nós, já reduziria os impactos ambientais, inclusive os alagamentos que enfrentamos em Porto Velho”, ressaltou.

Projeto nasceu durante um desafio de 48 horas

A ideia da SAMAÚMA surgiu durante um hackathon, no qual os participantes tiveram 48 horas para identificar um problema e elaborar uma solução.

Segundo Júlia, a equipe pesquisou a legislação municipal e percebeu a necessidade de integrar os grandes geradores de resíduos, as cooperativas e a Prefeitura.

“Encontramos um público que a Prefeitura precisava atender, os grandes geradores precisavam cumprir suas responsabilidades e as cooperativas também poderiam ganhar com isso. Grandes problemas acontecem justamente pela falta de integração”, afirmou.

A equipe reúne jovens ligados à educação e à inovação. Mesmo em um período curto, o grupo conseguiu desenvolver uma primeira versão da interface e apresentar um modelo funcional da solução.

O projeto permanece em fase inicial de validação e desenvolvimento. A equipe está aprofundando o contato com cooperativas, poder público e potenciais usuários para compreender as necessidades de cada público e aprimorar as funcionalidades.

Potencial para atender outros municípios

A SAMAÚMA foi pensada a partir de um problema identificado em Porto Velho, mas seus criadores acreditam que a solução poderá ser adotada por outros municípios.

“Sabemos que essa é uma demanda não apenas estadual, mas nacional. Nossa visão é alcançar Porto Velho e também outros municípios”, afirmou Júlia.

Entre os próximos passos estão concluir o desenvolvimento da plataforma, avançar nos procedimentos de proteção e registro da solução, validar o modelo em Porto Velho e iniciar sua implantação.

Depois dessa primeira etapa, a equipe pretende disponibilizar o sistema para outros municípios de Rondônia, ampliar a presença na região Norte e, futuramente, alcançar outras partes do Brasil.

“O primeiro passo é terminar a plataforma e conseguir integrá-la ao município de Porto Velho. Depois, queremos ampliar para outros municípios de Rondônia, para a região Norte e, quem sabe, para o Brasil inteiro”, projetou.

Juventude, inovação e empreendedorismo

Além de apresentar a SAMAÚMA, Júlia compartilhou uma mensagem destinada a outros jovens que desejam participar de projetos de ciência, pesquisa, tecnologia e empreendedorismo.

Ela destacou que escolas, professores, Sebrae e programas municipais podem oferecer apoio, mas afirmou que o primeiro passo é observar os problemas da comunidade e buscar soluções.

“Você precisa identificar um problema e encontrar uma solução. Temos muitas demandas em nosso município. O importante é participar e entrar nesse mundo de atividades, projetos e empreendedorismo”, aconselhou.

Para Júlia, começar é a etapa mais importante, especialmente quando surgem dificuldades e dúvidas sobre a continuidade de um projeto.

“O importante é começar e não desistir. Haverá um momento em que parecerá que tudo vai dar errado, mas você precisa continuar. Começar é o primeiro passo”, concluiu.


Assista à entrevista completa no canal Olá Rondônia:


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