Um levantamento realizado pelo Sebrae Rio, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2025) do Ministério do Trabalho e Emprego, revela que sete em cada dez trabalhadores com carteira assinada no estado fluminense possuem contratos superiores a 40 horas semanais. Esse contingente, composto majoritariamente por jovens, pessoas com menor escolaridade e indivíduos pretos e pardos, concentra-se em setores como comércio, serviços de limpeza e pequenos negócios.
A Proposta de Emenda à Constituição que visa reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais e extinguir a escala 6x1 prevê um período de transição de aproximadamente 14 meses. O cronograma sugere uma redução para 42 horas dois meses após a promulgação, chegando a 40 horas um ano depois. Diante desse cenário, o Sebrae Rio recomenda que micro e pequenas empresas iniciem um planejamento estratégico, focando na reorganização de escalas, turnos, gestão financeira e revisão de processos operacionais para manter a sustentabilidade do negócio.
No Rio de Janeiro, a alteração impactaria a rotina de cerca de 2,6 milhões de profissionais, o que representa 72,7% do total de celetistas no estado. Metade desse grupo, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas, atua em micro e pequenas empresas.
Perfil dos trabalhadores e impacto setorial
A jornada superior a 40 horas é predominante entre trabalhadores com ensino fundamental incompleto (85,6%), enquanto entre aqueles com nível superior o índice é de 47,4%. A faixa etária de 18 a 24 anos também apresenta alta incidência, com 81,8% dos jovens submetidos a jornadas longas. Em termos de remuneração, os dados mostram que quem trabalha mais de 40 horas recebe, em média, R$ 3.158 mensais, valor significativamente inferior aos R$ 8.098 registrados entre quem cumpre a jornada de 40 horas.
Setorialmente, a jornada longa é mais frequente em hotéis (92,4%), no comércio (92,2%) e na construção civil (91,2%). As ocupações com maior volume de profissionais nessas condições são faxineiros, vendedores do varejo e operadores de caixa.
Distribuição geográfica
Embora a capital concentre o maior número absoluto de trabalhadores afetados (1,28 milhão), a incidência proporcional é mais expressiva no interior e na Baixada Fluminense. Regiões como o Centro Sul (88,1%) e a Baixada Fluminense (84,7%) apresentam as maiores taxas de trabalhadores em jornadas acima de 40 horas. Entre os municípios com mais de 5 mil celetistas, Itatiaia, Paraíba do Sul e Porto Real lideram as estatísticas de incidência proporcional.